{"id":22848,"date":"2026-07-13T20:46:09","date_gmt":"2026-07-13T20:46:09","guid":{"rendered":"https:\/\/gifted-hub.com\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/dupla-excecionalidade\/"},"modified":"2026-07-13T22:06:03","modified_gmt":"2026-07-13T22:06:03","slug":"dupla-excecionalidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/dupla-excecionalidade\/","title":{"rendered":"Dupla excecionalidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A express\u00e3o <strong>dupla excecionalidade<\/strong> \u00e9 usada para descrever perfis em que coexistem altas capacidades com uma dificuldade, defici\u00eancia, perturba\u00e7\u00e3o do neurodesenvolvimento ou outra necessidade que afeta a aprendizagem, a comunica\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o, a regula\u00e7\u00e3o ou o funcionamento quotidiano. N\u00e3o \u00e9 um diagn\u00f3stico cl\u00ednico \u00fanico. \u00c9 uma forma de nomear uma combina\u00e7\u00e3o complexa: uma pessoa pode demonstrar pontos fortes muito destacados e, ao mesmo tempo, necessitar de apoios espec\u00edficos em \u00e1reas concretas (Pfeiffer, 2015; Lovecky, 2004; Giudice, 2024).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta ideia \u00e9 importante porque quebra uma suposi\u00e7\u00e3o ainda frequente: pensar que a alta capacidade deveria proteger das dificuldades. As fontes revistas coincidem num ponto b\u00e1sico: uma dificuldade de aprendizagem, aten\u00e7\u00e3o ou comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o descarta a alta capacidade, e uma alta capacidade n\u00e3o elimina por si s\u00f3 uma dificuldade real (Distin, 2006; Valadez Sierra et al., 2012; Sternberg et al., 2011). <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cap\u00edtulo n\u00e3o pretende ajudar a diagnosticar PHDA, autismo, dislexia nem altas capacidades. O seu objetivo \u00e9 explicar por que estes perfis podem passar despercebidos, que cautelas conv\u00e9m manter e por que a resposta educativa n\u00e3o deveria centrar-se apenas no \u201cque falha\u201d nem apenas no \u201cque se destaca\u201d. <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando uma parte do perfil oculta a outra<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dupla excecionalidade costuma ser dif\u00edcil de identificar porque os pontos fortes e as dificuldades podem <strong>mascarar-se<\/strong> entre si. Algumas fontes descrevem tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es habituais: que a alta capacidade compense uma dificuldade, que a dificuldade oculte o potencial, ou que ambas as dimens\u00f5es fiquem pouco vis\u00edveis e a pessoa pare\u00e7a simplesmente \u201cnormal\u201d, irregular ou pouco motivada (Pfeiffer, 2015; Phillipson et al., 2013; Distin, 2006). <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um aluno com racioc\u00ednio verbal elevado pode utilizar a sua compreens\u00e3o geral para compensar problemas de leitura durante algum tempo. Outro pode ter ideias complexas, mas produzir trabalhos escritos pobres por dificuldades de escrita, planeamento ou velocidade. Uma crian\u00e7a com grande capacidade para aprender pode sustentar bons resultados no Ensino B\u00e1sico \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o, e come\u00e7ar a mostrar mais dificuldades quando aumentam as exig\u00eancias de organiza\u00e7\u00e3o. Estes exemplos n\u00e3o provam nada por si s\u00f3s, mas ajudam a entender por que o rendimento vis\u00edvel pode ser enganoso.   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e1rias fontes alertam contra duas leituras simplistas. A primeira seria pensar: \u201cse tem altas capacidades, n\u00e3o precisa de apoio\u201d. A segunda seria concluir: \u201cse tem dificuldades, ent\u00e3o n\u00e3o pode ter alta capacidade\u201d. Ambas deixam de fora uma parte do perfil (Lovecky, 2004; Sternberg et al., 2011; Valadez Sierra et al., 2012).   <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Se apenas se olha\u2026<\/th><th>Risco principal<\/th><th>Leitura mais prudente<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>O rendimento elevado<\/td><td>Invisibilizar dificuldades de aten\u00e7\u00e3o, leitura, escrita, comunica\u00e7\u00e3o ou regula\u00e7\u00e3o.<\/td><td>Perguntar quanto esfor\u00e7o custa sustentar esse rendimento e em que contextos aparecem barreiras.<\/td><\/tr><tr><td>A dificuldade<\/td><td>Ignorar racioc\u00ednio, criatividade, interesses profundos ou aprendizagem r\u00e1pida.<\/td><td>Explorar tamb\u00e9m pontos fortes, dom\u00ednios de talento e oportunidades de desafio.<\/td><\/tr><tr><td>Uma pontua\u00e7\u00e3o global<\/td><td>Ocultar perfis muito desiguais entre \u00e1reas.<\/td><td>Interpretar o conjunto de dados com profissionais qualificados.<\/td><\/tr><tr><td>O comportamento externo<\/td><td>Confundir causas distintas: aborrecimento, ansiedade, PHDA, autismo, dislexia ou outros fatores.<\/td><td>Observar contexto, dura\u00e7\u00e3o, interfer\u00eancia e trajet\u00f3ria.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perfis irregulares, n\u00e3o contradi\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na dupla excecionalidade, as diferen\u00e7as internas podem ser amplas. Lovecky descreve crian\u00e7as com racioc\u00ednio elevado e dificuldades em aten\u00e7\u00e3o, escrita, organiza\u00e7\u00e3o, habilidades sociais ou regula\u00e7\u00e3o emocional. Tamb\u00e9m assinala que estes perfis podem mostrar uma assincronia maior: pensar com muita complexidade numa \u00e1rea e, ao mesmo tempo, necessitar de ajuda em tarefas quotidianas que de fora parecem simples (Lovecky, 2004).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sternberg, Jarvin e Grigorenko abordam a combina\u00e7\u00e3o de alta capacidade e dificuldades de aprendizagem a partir de uma perspetiva contextual: o que se considera for\u00e7a, fraqueza ou defici\u00eancia depende tamb\u00e9m das exig\u00eancias do ambiente educativo e das habilidades que esse ambiente valoriza (Sternberg et al., 2011). Esta ideia n\u00e3o nega as dificuldades, mas recorda que o problema n\u00e3o reside apenas na pessoa. Uma escola muito dependente de tarefas escritas r\u00e1pidas pode tornar mais vis\u00edvel uma dificuldade de escrita; uma avalia\u00e7\u00e3o com alta carga verbal pode n\u00e3o captar bem certos perfis; uma sala de aula com pouca flexibilidade pode amplificar problemas de aten\u00e7\u00e3o ou comunica\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta mais ajustada costuma requerer dois movimentos ao mesmo tempo: <strong>desenvolver os pontos fortes<\/strong> e <strong>apoiar as \u00e1reas vulner\u00e1veis<\/strong>. As fontes consultadas insistem que a interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria limitar-se a corrigir d\u00e9fices, porque isso pode empobrecer o desenvolvimento do talento. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o bastaria oferecer enriquecimento ou avan\u00e7o se forem ignoradas dificuldades que afetam o dia a dia (Lovecky, 2004; Distin, 2006; Pfeiffer, 2015).  <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PHDA e altas capacidades: semelhan\u00e7a externa n\u00e3o \u00e9 equival\u00eancia<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A PHDA aparece em v\u00e1rias fontes como um dos perfis que pode coexistir com altas capacidades, mas tamb\u00e9m como uma fonte frequente de confus\u00e3o. Algumas condutas podem parecer semelhantes de fora: mover-se muito, falar em excesso, interromper, distrair-se em tarefas repetitivas, abandonar projetos ou resistir a normas que n\u00e3o se compreendem. No entanto, as fontes n\u00e3o sustentam que alta capacidade e PHDA sejam o mesmo (Pfeiffer, 2015; Bourse &amp; Ricart, 2014; Giudice, 2024).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma parte da literatura adverte que o aborrecimento, a falta de desafio ou um curr\u00edculo pouco ajustado podem produzir condutas que se assemelham \u00e0 desaten\u00e7\u00e3o. Outros autores sublinham o risco contr\u00e1rio: que a PHDA fique sem detetar porque a alta capacidade permite compensar durante anos algumas exig\u00eancias escolares (Lovecky, 2004; Pfeiffer, 2015; Ambrose &amp; Sternberg, 2016). <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo de Gomez e colaboradores comparou menores com PHDA com e sem alta capacidade, e menores sem PHDA. Nessa amostra, os grupos com PHDA diferenciavam-se claramente dos grupos sem PHDA; al\u00e9m disso, o grupo com alta capacidade e PHDA n\u00e3o mostrava exatamente o mesmo padr\u00e3o que o grupo com PHDA sem alta capacidade. Os autores interpretam que a PHDA pode ser um diagn\u00f3stico v\u00e1lido em menores com alta capacidade, embora recomendem cautela e mais investiga\u00e7\u00e3o antes de estabelecer crit\u00e9rios diferenciados para este grupo (Gomez et al., 2019).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em termos divulgativos, a cautela seria esta: nem a inquieta\u00e7\u00e3o nem a distra\u00e7\u00e3o bastam para falar de PHDA; tamb\u00e9m n\u00e3o conv\u00e9m descart\u00e1-la s\u00f3 porque h\u00e1 bom racioc\u00ednio, criatividade ou rendimento elevado em algumas \u00e1reas. A avalia\u00e7\u00e3o deve atender \u00e0 persist\u00eancia das dificuldades, \u00e0 sua presen\u00e7a em distintos contextos, \u00e0 interfer\u00eancia funcional e \u00e0 hist\u00f3ria evolutiva, sempre por profissionais competentes (Lovecky, 2004; Pfeiffer, 2015; Williams, 2024). <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Autismo e altas capacidades: distinguir sem separar de forma r\u00edgida<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autismo tamb\u00e9m aparece nas fontes como uma poss\u00edvel forma de dupla excecionalidade, embora com matizes importantes. Algumas obras antigas usam a categoria \u201cs\u00edndrome de Asperger\u201d, pr\u00f3pria de classifica\u00e7\u00f5es diagn\u00f3sticas anteriores. Ao utilizar essas fontes, conv\u00e9m recordar que parte do vocabul\u00e1rio procede da sua \u00e9poca e n\u00e3o deve ser transposto sem contexto (Lovecky, 2004; Distin, 2006; Costis, 2016).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As fontes revistas assinalam poss\u00edveis \u00e1reas de dificuldade na comunica\u00e7\u00e3o social, reciprocidade, flexibilidade, interpreta\u00e7\u00e3o de chaves sociais, sensibilidade sensorial ou funcionamento adaptativo. Ao mesmo tempo, descrevem poss\u00edveis pontos fortes: mem\u00f3ria, conhecimentos especializados, honestidade, interesses profundos ou aprendizagem avan\u00e7ada em dom\u00ednios concretos. N\u00e3o s\u00e3o tra\u00e7os universais nem suficientes para identificar autismo, mas ajudam a entender por que alguns perfis podem ser muito desiguais (Lovecky, 2004; Costis, 2016).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Doobay e colaboradores compararam jovens com alta capacidade e autismo com jovens de alta capacidade sem diagn\u00f3stico psicol\u00f3gico. Na sua amostra n\u00e3o encontraram diferen\u00e7as significativas no QI total, mas observaram diferen\u00e7as m\u00e9dias na velocidade de processamento, habilidades adaptativas e funcionamento psicossocial informado por adultos. As maiores diferen\u00e7as adaptativas apareceram na socializa\u00e7\u00e3o. Os pr\u00f3prios autores sublinham a variabilidade individual e a necessidade de mais estudos sobre interven\u00e7\u00e3o (Doobay et al., 2014).   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Freeman apresenta uma cautela complementar: algumas pessoas com altas capacidades podem ter dificuldades sociais sem que isso equivalha necessariamente a autismo. Ao mesmo tempo, n\u00e3o deveria negar-se a possibilidade de que uma pessoa tenha ambas as condi\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 decidir por intui\u00e7\u00e3o se \u201cparece autista\u201d ou \u201cparece superdotado\u201d, mas sim avaliar com rigor a comunica\u00e7\u00e3o, a flexibilidade, o funcionamento adaptativo, a hist\u00f3ria do desenvolvimento e as necessidades reais (Freeman, 2010; Costis, 2016).  <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dislexia e outras dificuldades de aprendizagem<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dislexia \u00e9 mencionada em v\u00e1rias fontes como uma dificuldade espec\u00edfica que pode coexistir com altas capacidades. O ponto mais repetido \u00e9 que o racioc\u00ednio avan\u00e7ado n\u00e3o elimina necessariamente as dificuldades na leitura, escrita ou ortografia. Do mesmo modo, uma dificuldade de leitura e escrita n\u00e3o permite concluir baixa capacidade intelectual (Valadez Sierra et al., 2012; Distin, 2006; Freeman, 2010).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este perfil pode passar especialmente despercebido se a escola se apoia muito no rendimento escrito. Um estudante pode ter ideias complexas, boa compreens\u00e3o oral ou pensamento matem\u00e1tico avan\u00e7ado, mas obter resultados pobres quando a tarefa exige ler com rapidez, escrever com precis\u00e3o ou organizar por escrito o que sabe. Lovecky recolhe exemplos de alunos com altas capacidades, PHDA e dislexia, e assinala que apoios como o ditado, o computador ou outras formas de expressar o pensamento podem ajudar a mostrar melhor o que a pessoa compreende (Lovecky, 2004).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas fontes descrevem poss\u00edveis pontos fortes visuais, espaciais ou criativos em certos alunos com dislexia, mas este ponto deve ser tratado com prud\u00eancia. Nem toda a pessoa com dislexia ter\u00e1 esses pontos fortes, nem toda a for\u00e7a visual indica dislexia. A ideia \u00fatil \u00e9 mais modesta: conv\u00e9m olhar para o perfil completo, n\u00e3o apenas para as falhas, a lentid\u00e3o na leitura ou a apresenta\u00e7\u00e3o escrita (Bourse &amp; Ricart, 2014; Farrall et al., 2007).  <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Avaliar e acompanhar sem reduzir a r\u00f3tulos<\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dupla excecionalidade exige uma avalia\u00e7\u00e3o especialmente cuidadosa. As fontes insistem em usar v\u00e1rias fontes de informa\u00e7\u00e3o: testes adequados, hist\u00f3ria escolar, observa\u00e7\u00e3o, relat\u00f3rios de fam\u00edlia e professores, produ\u00e7\u00f5es, funcionamento quotidiano e contexto. Tamb\u00e9m advertem que uma pontua\u00e7\u00e3o global pode ocultar diferen\u00e7as internas importantes, e que alguns testes podem ser afetados por dificuldades de aten\u00e7\u00e3o, linguagem, leitura, velocidade de processamento ou comunica\u00e7\u00e3o (Pfeiffer, 2015; Sternberg et al., 2011; Valadez Sierra et al., 2012).  <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica educativa, a pergunta n\u00e3o deveria ser apenas \u201cque r\u00f3tulo tem\u201d, mas sim o que necessita para aprender e participar melhor. Algumas medidas podem dirigir-se \u00e0 dificuldade: apoio em fun\u00e7\u00f5es executivas, antecipa\u00e7\u00e3o, estrutura, ensino expl\u00edcito de estrat\u00e9gias, ajustes na leitura ou escrita, apoios visuais, tempos adequados ou formas alternativas de demonstrar conhecimento. Outras devem cuidar do desenvolvimento do ponto forte: enriquecimento, profundidade, projetos complexos, acelera\u00e7\u00e3o quando apropriado, mentoria ou acesso a conte\u00fados mais avan\u00e7ados. As fontes n\u00e3o prometem que uma combina\u00e7\u00e3o concreta funcione em todos os casos; recomendam ajustar a resposta ao perfil individual (Lovecky, 2004; Distin, 2006; Pfeiffer, 2015).   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante cuidar da linguagem. Uma crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 \u201capenas PHDA\u201d, \u201capenas autista\u201d, \u201capenas disl\u00e9xica\u201d ou \u201capenas de altas capacidades\u201d. Os r\u00f3tulos podem abrir portas a apoios e compreens\u00e3o, mas tamb\u00e9m podem estreitar o olhar se se converterem na explica\u00e7\u00e3o completa da pessoa. A dupla excecionalidade convida precisamente a sustentar um olhar duplo: reconhecer capacidades reais sem negar dificuldades reais.   <\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o crit\u00e9rio mais prudente seja este: quando h\u00e1 grandes discrep\u00e2ncias entre o que uma pessoa parece compreender, o que consegue expressar, como aprende e como funciona em distintos contextos, vale a pena olhar com mais detalhe. N\u00e3o para multiplicar r\u00f3tulos, mas para evitar que uma parte do perfil apague a outra. <\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fontes utilizadas<\/h2>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ambrose, D., &amp; Sternberg, R. J. (Eds.). (2016). <em>Giftedness and talent in the 21st century: Adapting to the turbulence of globalization<\/em>. Sense Publishers.  <\/li>\n\n\n\n<li>Bourse, P., &amp; Ricart, D. (2014). <em>Hijos brillantes, alumnos sobresalientes: Manual para padres y maestros sobre alumnos de alto potencial intelectual y creativo<\/em>. Bonum. <\/li>\n\n\n\n<li>Costis, P. A. (2016). <em>Seeing the paradigm: Education professionals\u2019 advocacy for the gifted student with autism spectrum disorder<\/em> [Doctoral dissertation, The College of William and Mary in Virginia]. ProQuest LLC. <\/li>\n\n\n\n<li>Distin, K. (Ed.). (2006). <em>Gifted children: A guide for parents and professionals<\/em>. Jessica Kingsley Publishers.  <\/li>\n\n\n\n<li>Doobay, A. F., Foley-Nicpon, M., Ali, S. R., &amp; Assouline, S. G. (2014). Cognitive, adaptive, and psychosocial differences between high ability youth with and without autism spectrum disorder. <em>Journal of Autism and Developmental Disorders, 44<\/em>, 2026-2040.  https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10803-014-2082-1<\/li>\n\n\n\n<li>Farrall, J., Matison, A., Minchin, M., &amp; Stewart, W. (2007). <em>Raising your gifted and talented child: The joys and the challenges<\/em>. Gifted and Talented Children\u2019s Association of South Australia. <\/li>\n\n\n\n<li>Freeman, J. (2010).  <em>Gifted lives: What happens when gifted children grow up?<\/em>  Routledge.<\/li>\n\n\n\n<li>Giudice, A. (2024). <em>Brief introduction of giftedness in adults<\/em>. Preprint.  https:\/\/doi.org\/10.13140\/RG.2.2.16087.48804<\/li>\n\n\n\n<li>Gomez, R., Stavropoulos, V., Vance, A., &amp; Griffiths, M. D. (2019).  <em>Gifted children with ADHD: How are they different from non-gifted children with ADHD?<\/em>  International Journal of Mental Health and Addiction. https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11469-019-00125-x<\/li>\n\n\n\n<li>Lovecky, D. V. (2004). <em>Different minds: Gifted children with ADHD, Asperger Syndrome, and other learning deficits<\/em>. Jessica Kingsley Publishers. <\/li>\n\n\n\n<li>Pfeiffer, S. I. (2015). <em>Essentials of gifted assessment<\/em>. John Wiley &amp; Sons. <\/li>\n\n\n\n<li>Phillipson, S. N., Stoeger, H., &amp; Ziegler, A. (Eds.). (2013). <em>Exceptionality in East Asia: Explorations in the actiotope model of giftedness<\/em>. Routledge.  <\/li>\n\n\n\n<li>Sternberg, R. J., Jarvin, L., &amp; Grigorenko, E. L. (2011). <em>Explorations in giftedness<\/em>. Cambridge University Press. <\/li>\n\n\n\n<li>Valadez Sierra, M. D., Betancourt Morej\u00f3n, J., &amp; Zavala Berbena, M. A. (Eds.). (2012).  <em>Alunos superdotados e talentosos: Identifica\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o. Uma perspetiva para docentes <\/em>  (2.\u00aa ed.). Editorial El Manual Moderno. <\/li>\n\n\n\n<li>Williams, J. (2024). <em>Raising their voices: Lived experiences of gifted women with ADHD<\/em> [Doctoral dissertation, University of Denver]. ProQuest Dissertations &amp; Theses. <\/li>\n<\/ul>\n\n<div class=\"wp-block-group has-accent-background-color has-background has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-c9a371c5 wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"border-top-left-radius:12px;border-top-right-radius:12px;border-bottom-left-radius:12px;border-bottom-right-radius:12px;padding-top:var(--wp--preset--spacing--30);padding-right:var(--wp--preset--spacing--30);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--30);padding-left:var(--wp--preset--spacing--30)\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Cap\u00edtulos<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/introducao-as-altas-capacidades-intelectuais\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22736\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/o-que-sao-as-altas-capacidades-intelectuais\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22738\">O que s\u00e3o as altas capacidades<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/mitos-e-confusoes-sobre-as-altas-capacidades\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22740\">Mitos e confus\u00f5es<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/como-se-identificam-as-altas-capacidades\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22742\">Como se identificam<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/infancia-e-adolescencia\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22744\">Inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/emocoes-e-perfeccionismo\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22747\">Emo\u00e7\u00f5es e perfeccionismo<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/dupla-excecionalidade\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22761\">Dupla excecionalidade<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/altas-capacidades-em-adultos\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22763\">Altas capacidades em adultos<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/escola-e-familia\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22767\">Escola e fam\u00edlia<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/gifted-hub.com\/pt-pt\/guia-sobre-as-altas-capacidades\/recursos-e-proximos-passos\/\" data-type=\"page\" data-id=\"22769\">Recursos e pr\u00f3ximos passos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A express\u00e3o dupla excecionalidade \u00e9 usada para descrever perfis em que coexistem altas capacidades com uma dificuldade, defici\u00eancia, perturba\u00e7\u00e3o do neurodesenvolvimento ou outra necessidade que afeta a aprendizagem, a comunica\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o, a regula\u00e7\u00e3o ou o funcionamento quotidiano. 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