A síndrome do impostor é um sentimento persistente de dúvida, insegurança e medo de ser exposto como uma fraude, apesar de provas claras de sucesso e competência. Este fenómeno é particularmente comum entre os indivíduos sobredotados, que muitas vezes se debatem com grandes expectativas, tanto de si próprios como dos outros. Muitos deles acreditam que as suas realizações se devem à sorte, a factores externos ou ao puro esforço, e não às suas próprias capacidades. Isto cria um ciclo em que, por muito que realizem, nunca se sentem verdadeiramente merecedores do seu sucesso.
Os alunos sobredotados sofrem frequentemente de perfeccionismo, o que pode intensificar os sentimentos de impostor. Estabelecem padrões irrealistas para si próprios e sentem-se fracassados se não os atingirem. A sua autoestima fica ligada às suas realizações, tornando-os vulneráveis à dúvida quando confrontados com desafios. Este perfeccionismo é muitas vezes reforçado por pressões externas de professores, colegas e familiares que esperam que eles sejam excelentes em tudo o que fazem. Como resultado, muitos indivíduos sobredotados sofrem de ansiedade, stress e esgotamento, sentindo que têm de provar constantemente o seu valor.
A autoestima desempenha um papel crucial na forma como a síndrome do impostor se manifesta. Quando os indivíduos sobredotados têm baixa autoestima, é mais provável que atribuam os seus sucessos a factores externos e os seus fracassos à incompetência pessoal. A forma como se percepcionam a si próprios influencia a confiança que têm nas suas capacidades, tornando-os mais susceptíveis a pensamentos impostores. Aqueles com maior auto-consciência e auto-aceitação tendem a lidar melhor com estes sentimentos, uma vez que reconhecem as suas forças e limitações de forma equilibrada.
Para os indivíduos duplamente excepcionais – aqueles que são simultaneamente sobredotados e têm uma dificuldade de aprendizagem – a síndrome do impostor pode ser ainda mais acentuada. Estes indivíduos recebem frequentemente mensagens contraditórias sobre as suas capacidades, destacando-se nalgumas áreas e tendo dificuldades noutras. Isto pode levá-los a sentirem-se como impostores, pois podem acreditar que o seu sucesso é acidental e não um reflexo do seu verdadeiro potencial. As suas dificuldades em certas disciplinas ou situações sociais podem reforçar a ideia de que não são tão capazes como os outros pensam que são.
O ambiente académico desempenha um papel importante no desenvolvimento da síndrome do impostor entre os alunos sobredotados. Programas altamente competitivos e cursos de honra, onde os alunos estão rodeados de colegas igualmente talentosos, podem criar um efeito de “peixe grande num lago maior”. Muitos indivíduos sobredotados, habituados a serem os melhores nos seus contextos anteriores, vêem-se de repente entre outros igualmente talentosos, o que os leva a duvidar de si próprios e a recear não estarem à altura. A falta de reconhecimento pelo esforço, em vez de apenas pelos resultados, alimenta ainda mais o sentimento de fraude.
Os factores sociais e culturais também contribuem para a síndrome do impostor. As expectativas de género, as definições sociais de sucesso e as ideias rígidas sobre a inteligência podem ter impacto na forma como os indivíduos sobredotados se percepcionam a si próprios. Em particular, as mulheres e as minorias sub-representadas em áreas de alto rendimento enfrentam frequentemente desafios adicionais, uma vez que podem sentir a pressão de validar constantemente o seu lugar em espaços onde estão sub-representadas. Podem experimentar sentimentos de impostor mais intensos, acreditando que têm de trabalhar a dobrar para serem levados a sério.
Abordar a síndrome do impostor em indivíduos sobredotados requer uma combinação de auto-consciência, sistemas de apoio e uma mudança de perspetiva. Incentivar a autorreflexão e ajudar os indivíduos a reconhecerem os seus pontos fortes e contribuições reais pode atenuar os sentimentos de impostor. É crucial construir resiliência normalizando as lutas e os fracassos como parte do processo de aprendizagem. As escolas e os educadores devem promover ambientes em que os alunos sobredotados se sintam valorizados para além das suas realizações, dando ênfase ao crescimento pessoal e à auto-aceitação, em vez da validação constante do desempenho. Ao reconhecer e abordar estes sentimentos, os indivíduos sobredotados podem desenvolver um auto-conceito mais saudável e libertar-se do ciclo de auto-dúvida que a síndrome do impostor cria.